8 de jul de 2012

LIÇÕES DE UM INOCENTE

Um dia numa época difícil, eu estava com dificuldade financeira, por isso não ia poder ver o meu filho no final de semana. Então liguei para ele e disse que teríamos que esperar para nos vermos no próximo final de semana.

Ele me surpreendeu dizendo: - Eu posso usar o dinheiro da minha mesada que eu guardei.
E eu respondi de forma automática e infeliz. – Não filho, esse dinheiro é para você se divertir com seus amigos e comprar suas coisas, como o seu notebook que você tanto quer. Aí ele reclamou - Ah; então eu não quero mais mesada. Se esse dinheiro não pode trazer você, então não preciso dele. O computador não é importante.
Comovido pedi desculpas e completei - tudo bem então, se eu não conseguir o dinheiro necessário eu aceito a sua proposta.
Chocado com a lição de moral que ele me deu, me esforcei e consegui o montante que precisava para estar com ele naquele fim de semana.
Meu filho Lorran Mozhart Nazar, de 8 anos, não precisou usar suas economias naquele fim de semana para podermos estar juntos.
Por um momento eu achei que havia feito o certo, mas o que decorreu em consequência da minha atitude aparentemente heroica, mas controversamente estúpida, me chocou. Meu filho passou a ter completo desprezo pelo dinheiro, e mesmo que eu continuasse lhe dando mesada e até mesmo aumentado o seu valor, ele ainda se mantinha desinteressado pelo valor do dinheiro.
Somente 2 meses depois é que eu me dei conta do que havia feito.
Felizmente pude consertar meu erro.
Simulei que estava novamente sem dinheiro e com dificuldade para vê-lo no fim de semana seguinte.
Dessa vez ele nem se lembrou de falar sobre suas economias. Não com medo de eu não aceitar, mas porque já havia esquecido o verdadeiro valor do seu dinheiro.
Quando eu disse a ele que não poderia vê-lo no fim de semana ele apenas lamentou dizendo – Ah! Que chat!
Isso me surpreendeu mais uma vez. Achei que ele me ofereceria suas economias novamente, mas não, ele simplesmente as esqueceu.
Logo após lamentar, ele se calou aborrecido.
Então eu o perguntei – Você ainda tem aquele dinheiro guardado? E finalmente, foi ai que eu consegui consertar o meu erro. Naquele fim de semana eu tinha dinheiro bastante para curtir e gastar de monte com ele, mas não fiz desta forma. Usei apenas as suas economias para ir até ele e passamos este fim de semana juntos brincando numa praia de Laguna onde ele vive com sua mãe Daisa.
Meu filho Lorran e eu nestes dias nos divertimos brincando com tronquinhos de madeira que as ondas rolavam sobre a areia polindo-os e esculpindo-os em variado formatos.
Surpreendentemente foi um dos melhores fins de semana que tivemos.
Meu filho havia recuperado a visão do real valor do dinheiro e eu finalmente aprendido o mesmo. - Lição de filho para pai.

-----


O dinheiro não tem o valor cotado em si, mas em nossas decisões ao fazer seu uso.

O bem maior que podemos alcançar com o dinheiro é um momento e não o bem material.
O valor real do dinheiro é o benefício que ele nos proporciona, cotado em momentos de satisfação.
É claro que um bem material como uma casa nos proporciona muitos momentos especiais, portanto ao pensar em adquirir um objeto devemos pensar na qualidade dos momentos que este objeto pode nos proporcionar, ou até mesmo nos impedir de realizarmos bons momentos.

O notebook pode esperar até que chegue à hora certa.
Muitas outras lições estão explícitas nesta história, releia e absolva tal conhecimento para usar em sua vida e retransmiti-lo ao mundo ao seu redor.



3 comentários:

  1. Boa tarde Marcelo, bonita atitude e texto! Parabéns!Abraços, e uma ótima semana!

    ResponderExcluir
  2. Muito bom ! Foi uma bela lição para os dois ,um aprendeu para que serve o dinheiro e o outro a generosidade.
    Um abraço parabéns.

    ResponderExcluir
  3. Obrigado Vanice. Obrigado Roberto.

    ResponderExcluir