7 de mai de 2017

UMA PESSOA É FELIZ QUANDO SE PERMITE SER FELIZ.

Eu estava trabalhando como de costume no calçadão, com uma performance de estátua-viva, cujo personagem era alusivo a filosofia, era um escritor que possuía em suas mãos um livro com frases de minha própria autoria.

Logo que comecei a trabalhar uma senhora se aproximou para ler uma frase do livro. E ao lê começou a chorar dizendo que sua filha, que estava com câncer, havia falecido.

Essa era a frase: “Para ser feliz talvez você tenha que aprender andar sozinha, amar seus amigos ou ser frio para não sofrer as consequências das emoções”.

Eu desci do pedestal em que estava e levei minha mão ao encontro da mão dela, cumprimentando-a com entusiasmo e lhe disse: “A morte faz parte da vida, não importa o quanto a pessoa viveu, e sim, que tenha sido feliz durante sua estada nesse mundo e que não tenha permanecido em estado de sofrimento por muito tempo”.

Ela olhou-me espantada e ao mesmo tempo “esboçando” um sorriso que misturava alívio e confusão em sua expressão facial.

Eu então continuei: “Sua filha a amava e quem ama jamais gostaria de saber que a pessoa amada estaria sofrendo. Ela com toda certeza gostaria de sentir sua felicidade, tão somente”.

E a mulher disse contente: “É verdade, ela sempre pediu que eu fosse feliz”.

Eu continuei: “Normalmente, por força do hábito, doutrinas culturais ou crenças sociais, as pessoas costumam dizer meus pêsames. Mas eu vou lhe dizer seguinte:” - beijei a mão da senhora – “Quero lhe felicitar e parabenizar por esse momento de alegria, pois a morte não deve ser encarada como perda, e sim, como o cumprimento de um estágio na vida de cada um de nós. Sinta alegria por esse acontecimento, pois toda existência de sua filha está vibrante na subconsciência de sua memória. Então, ela está muito mais próxima de você como jamais estivera, está totalmente viva em ti. Se a senhora compreender isso, vai até ouvir a voz dela em sua mente”.

E completei: “Você feliz, mantém ela feliz. Você sofrendo mantém ela sofrendo”.

A senhora me agradeceu e saiu numa felicidade tão sincera que eu jamais havia observado em ninguém antes.

No dia seguinte, ela veio como um sorriso que parecia uma criança, não escondia a alegria que sentia em querer me contar o ocorrido misterioso da noite enquanto dormia.

Contou ela, eufórica: “Sabe o que me o correu? Eu ouvi a voz da minha filha enquanto dormia; ela disse: Obrigada mãe por ser feliz”.

Apenas isso.

E finalmente esse evento telepático involuntário atemporal confirmou o que eu a ensinara.

Bom, não era exatamente isso que eu quis dizer quando falei que ela até ouviria a voz da menina em sua mente, quis dizer, em parábola, que seus pensamentos falariam por ela. Mas já que ocorreu dela ouvir realmente a voz da finada filha, então melhor ainda.


Uma pessoa é feliz quando se permite ser feliz.

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