2 de jun de 2017

O AMULETO MÁGICO

Desde minha infância eu tenho um grande baú cheio de mistérios que carrego comigo até os dias de hoje.
Parece ser feito de um material muito resistente e pesado, que permaneceu trancado até poucos meses atrás.
Nunca havia aberto por que não tinha chaves e não sabia os segredos que o mantinha trancado tão seguramente.

Um dia comecei a escrever um livro, que, pensava eu, o título seria “Dois segundos mágicos”. Porém, durante a elaboração do conteúdo da obra, comecei a encontrar os segredos, com os quais poderia abrir o imenso baú.

Os segredos eram palavras, e cada palavra secreta que eu encontrava liberava uma delicada trava no seu complexo sistema de fechadura.

O livro que eu estava escrevendo tornava-se cada vez mais revelador e cada vez que eu pensava que o havia terminado de escrever, e dava início - ao que pensava ser a última revisão - novos segredos surgiam e, com eles, mais travas do dispositivo da fechadura eram abertas.

Num certo momento percebi que o livro já consistia de certo grau de complexidade e de informações e que o nome, “Dois segundos mágicos” não correspondia mais ao conteúdo integral da obra.

No decorrer da criação do projeto substituí o título por “Você é o amuleto da prosperidade” e finalmente o baú se abriu e muitos segredos foram revelados de seu interior, e tesouros foram atraídos de todas as partes do mundo para dentro dele; livros, palavras, visões, sonhos, intuições, mensagens e todos os fenômenos da fonte da vida se guardavam nessa preciosa relíquia. Todos os segredos que eu poderia conhecer sobre a existência estavam trancados e seguros no charmoso baú.

No momento em que os tesouros começaram a emergir, eu já havia feito umas sete revisões, mas eu não queria deixar de conhecer nenhum segredo da minha preciosa relíquia e, cada vez que eu pensava que havia encontroado o último segredo e que poderia finalizar minha obra literária, depois de fazer - o que eu imaginava ser, finalmente, a última revisão - novos segredos vinham à tona.

Eu estava longe de acabar de escrever este livro.

Os segredos que se expeliam do baú eram tantos e tão enigmáticos que pareciam induzir-me a documentar esse conhecimento, que alias, de um momento em diante eu já não sabia quem estava escrevendo, se era eu ou os fenomenais e misteriosos segredos que foram liberados dele.

Bastava uma lida no rascunho que eu estava revisando e era levado a olhar para dentro da minha enigmática relíquia e, novos segredos eram liberados, cada um no momento certo, elucidando-me e instruindo-me a fazer uso das palavras corretas para complementar o conteúdo.

Finalmente, depois que as informações e os segredos pararam de se revelar por um tempo e eu já havia revisado o rascunho mais de cem vezes, compreendi a existência e a importância do meu amado baú mágico.

Mas, um último artefato ainda se escondia no fundo, por debaixo de todos os tesouros, segredos e mistérios; um amuleto. E era dele que toda a magia era expelida.
Um artefato mágico que só a mim poderá pertencer por toda a eternidade.


Ao conhecer alguns de seus segredos, quais eu conto neste livro que você está lendo, pude compreender finalmente que “o amuleto da prosperidade” sou “eu divino”, e o baú é o “casulo material”, através do qual, eu me manifesto na existência física. Em outras palavras, o baú é meu corpo e o amuleto da prosperidade sou eu e, a magia infinita que me da poder de gerar toda a riqueza é expelida do meu subconsciente.





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